terça-feira, 1 de novembro de 2016


A família Paula Freitas é originária da Ilha de São Jorge, arquipélago dos Açores, um pedacinho de Portugal perdido no oceano Atlântico. Dali emigrou com seus pais e desembarcou no Rio de Janeiro em 1830, com apenas onze anos de idade, o jovem Antonio de Paula Freitas que viria a ser o patriarca do grupo familiar brasileiro. De seu filho mais novo, Alfredo, descendem também aqueles que optaram mais tarde pelo sobrenome unificado Paulafreitas, que marcou o ramo carioca da família. A divulgação pública dessas lembranças é uma homenagem especial à memória do educador Alfredo de Paula Freitas e também uma comprovação de que as árvores que plantou floresceram no seu devido tempo.

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Antonio de Paula Freitas nasceu na Ilha de São Jorge, uma das nove ilhas do Arquipélago dos Açores (Portugal), no dia 11 de janeiro de 1819, desembarcou no Rio de Janeiro em 11 de novembro de 1830, com seus pais, casou-se em 1842 com Maria da Glória da Conceição Freitas e faleceu no dia 30 de novembro de 1855, com apenas 36 anos de idade, deixando oito filhos.  Dois deles, Antonio e Alfredo, o primogênito e o caçula, ambos engenheiros e professores foram profissionais destacados nas respectivas áreas de atuação e personalidades marcantes na sociedade carioca entre o final do reinado de Dom Pedro II e os primeiros anos da República, e deixaram um belo legado de realizações à cidade do Rio de Janeiro e aos seus descendentes. 

Alfredo de Paula Freitas, nasceu em 8 de outubro de 1855, no Rio de Janeiro, e faleceu em 30 de maio de 1931, aos 75 anos de idade.  Não chegou a conviver com o pai, falecido um mês após seu nascimento, e casou-se em 12 de outubro de 1878 com Maria Emília Pinto Guedes, com quem  teve dez filhos. Do terceiro filho,  batizado Júlio César, descendem os familiares que optaram pelo sobrenome unificado Paulafreitas


                    

  
Aos 16 anos Alfredo ingressou na antiga Escola Central, depois Escola Politécnica, no Largo de São Francisco - atual Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - onde graduou-se como Bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas, em 1877, e formou-se Engenheiro Civil em 1878, aos 23 anos de idade. Trabalhou um ano na Estrada de Ferro Pirapetinga, quando casou-se e optou definitivamente pelo magistério, sua verdadeira e apaixonada vocação, já então como professor da mesma Escola Politécnica onde se graduara apenas dois anos antes. Em 1885 foi nomeado pelo governo imperial delegado  da Inspetoria Geral de Instrução Primária e Secundária, cargo que exerceu pro bono por cinco anos. Em 1888, aos 33 anos de idade,  foi classificado em 1° lugar em concurso para professor catedrático da Escola Politécnica, onde lecionou por 34 anos.   


A família de Alfredo de Paula Freitas completa em 1915


O COLÉGIO PAULA FREITAS

No dia 3 de outubro de 1892 fundou o Colégio Paula Freitas, que em 1900 teve reconhecida a excelência do seu ensino ao ser equiparado pelo já então governo republicano ao Ginásio Nacional, primeiro nome do hoje conhecido Colégio Pedro II. Isso significava que os alunos aprovados em exames específicos prestados perante Juntas Examinadoras fiscalizadas por representante do Governo, tinham acesso assegurado às Escolas Superiores (Faculdades) e ao curso de Bacharelado oferecido pelo próprio Colégio.  Seis anos depois, a primeira turma de bacharéis pelo Colégio Paula Freitas colou grau e recebeu seus diplomas na presença do então Presidente da República, Rodrigues Alves, o que se repetiu posteriormente, quando o ilustre visitante foi o então Presidente Nilo Peçanha.

Instalado em  prédio tradicional que pertenceu ao Barão do Rosário, uma ampla área na rua Hadock Lobo fronteira à rua Afonso Pena, na Tijuca, onde hoje existe a rua Maestro Heitor Villa Lobos,  o Colégio Paula Freitas foi modelo de eficiência, modernidade e cidadania,  conciliando o trato intelectual com o vigor físico  e os deveres cívicos, ao estimular atividades literárias, a ginástica e a manutenção de um Batalhão Escolar em parceria com o Exército Brasileiro.


O Colégio Paula Freitas

 
Além  de bem equipados laboratórios de física e química, biblioteca, salas de desenho e datilografia, e de um Grêmio Literário que coordenava a publicação de vários jornais internos pelos alunos,  o Colégio possuía um pátio coberto para ginástica e quadras esportivas.  


Laboratório de Física
Laboratório de Química

                                                               

                     Pátio coberto para ginástica


O Colégio também mantinha  um núcleo de escoteiros e foi pioneiro na organização de um Batalhão Escolar e de uma Linha de Tiro, precursora dos Tiros de Guerra que formavam, na época,  os reservistas do Exército Brasileiro. Graças ao bom relacionamento e parceria  com as Forças Armadas, o Batalhão Escolar era comandado por um oficial do Exército e o Colégio tinha a guarda do seu armamento. Com a morte do seu fundador, em 1931, a instituição saiu do controle da família e foi extinta, após 40 anos de exemplar atividade.


Batalhão Escolar desfilando

Praça d'Armas



HOMENAGENS PÓSTUMAS

Em 1935, por iniciativa de um grupo de ex-alunos e autoridades públicas da cidade do Rio de Janeiro, foi erigida nos jardins do Colégio uma herma em sua memória, obra do escultor Benevenuto Berna. Pouco depois, considerada moumento da cidade, foi  solenemente transferida para o local onde se encontra, na Praça Afonso Pena, na Tijuca, a uma quadra da antiga sede do educandário.  Em 1955 foi comemorado o centenário do seu nascimento com cerimônia pública junto ao monumento, a que compareceram familiares, ex-alunos, admiradores e autoridades do ensino.

Monumento na Praça Afonso Pena

A festa do Centenário na Praça Afonso Pena


A ESCOLA MUNICIPAL ALFREDO DE PAULA FREITAS

Em abril de 1959 foi homenageado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro como patrono da Escola Municipal Alfredo de Paula Freitas, localizada na rua Gustavo de Andrada, 290, no bairro de Irajá, a cuja cerimônia de inauguração estiveram presentes seu neto Luiz de Abreu Paula Freitas e bisnetos.  Posteriormente o prédio  passou a abrigar também a Escola Estadual de Ensino Supletivo de mesmo nome.

No final de 2009 a Escola comemorou o seu cinquentenário com uma alegre festa, coroada pela inauguração de uma placa alusiva à data reproduzindo palavras de seu patrono.




     



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Feliz o educador que, ao voltar-se para o caminho percorrido, vê em plena florescência as árvores que plantou.    Não terá talvez ocasião, nem tempo, de se abrigar sob a copa frondosa.  Pouco importa.  Dá-lhe forças para seguir avante, e consola-o de tudo, a só lembrança de que, à sombra protetora das árvores gigantescas, se  acolherá a mocidade – satisfeita e agradecida.” 
Alfredo de Paula Freitas, 31/10/1917

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ANTONIO DE PAULA FREITAS
Antonio de Paula Freitas, irmão mais velho de Alfredo de Paula Freitas, nasceu no Rio de Janeiro em 10 de janeiro de 1843 e faleceu em 18 de março de 1906. Era doutor em Ciências Físicas e Matemáticas pela antiga Escola Politécnica, Engenheiro Geógrafo e Civil e professor catedrático por quarenta anos da mesma Escola onde também se formara. É considerado um dos introdutores da técnica do concreto armado no Brasil, que conheceu em 1904 quando estudou na Sorbonne (Paris), e a viu ser utilizada pela primeira vez no país em obras públicas em 1907, quando da construção dos canais do Porto de Santos pelo engenheiro Saturnino de Britto. Figura de destaque em atividades profissionais e acadêmicas no reinado de D. Pedro II, era Oficial Menor da Casa Imperial e Cavalheiro da Ordem da Rosa e recebeu também a Medalha Hawshaw,  honraria de origem inglesa atribuída a quem se destacasse por trabalhos acadêmicos na área da Engenharia. Foi fundador e membro do Conselho Diretor do Clube de Engenharia, membro do Instituto dos Engenheiros civis de Londres, membro da Sociedade Francesa de Higiene, membro da Diretoria do Congresso Científico Latino-Americano, fundador e membro da Administração do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, entre outras atividades

 Em 1903, foi escolhido para intendente municipal, e logo após foi eleito presidente do Conselho do Instituto Politécnico Brasileiro, criado em 1862 durante o regime imperial e que seria a primeira associação de engenheiros do país.


Antonio de Paula Freitas

Foi também presidente da "Empreza de Construções Civis" de Alexandre Wagner e seus genros Otto Simon e Theodoro Duvivier, pioneiros no desenvolvimento de  Copacabana na segunda metade dos anos 1800 e à qual pertencia praticamente metade da área então denominada Sacopenapan (Copacabana).Foi o responsável pelo projeto e obras de arruamento do bairro, em 1894 e homenageado com seu nome dado à antiga rua Itororó.


São de sua autoria os projetos e a construção de vários prédios históricos na cidade do Rio de Janeiro, como o imóvel-sede da Imprensa Nacional Geral e o do Tesouro Nacional, já demolidos, e o do Correio Geral na rua Primeiro de Março.


Imprensa Nacional


Edifício-sede dos Correios

Destaque ainda para o edifício projetado em 1880 para sediar a Faculdade de Medicina, cuja pedra fundamental foi lançada em 12 de fevereiro de 1881 pelo próprio Imperador D. Pedro II. As obras, porém, sofreram paralisações e somente foram concluídas em 1908, após seu falecimento, quando o prédio foi utilizado como pavilhão do Brasil na Exposição Internacional comemorativa do Centenário da Abertura dos Portos. No momento é ocupado por repartições do Ministério da Agricultura.



Durante mais de vinte anos foi engenheiro da Igreja da Candelária, sendo responsável pelo projeto e construção das duas sacristias laterais, em 1877 e pelo desenho e colocação – em colaboração com Heitor de Cordoville – do novo revestimento interno em mármore italiano, além da instalação das belíssimas portas em bronze, em 1901. 









São Jorge: a ilha das fajãs

SOBRE  

Velas
Local: Ilha de São Jorge nos Açores
Foto: Rui Vieira
Foto: Rui Vieira


São Jorge é a ilha das arribas, falésias e fajãs, uma das mais verdes do arquipélago dos Açores e o local perfeito para umas férias em contacto com a natureza e o mar.Esta ilha com 54 quilómetros de comprimento e 6,9 quilómetros de largura máxima está integrada noGrupo Central e é um dos vértices das chamadas “ilhas do triângulo”, em conjunto com o Faial e o Pico, do qual dista 18,5 km.

Paisagisticamente salta à vista o contraste da cordilheira central que atravessa a ilha em quase todo o comprimento, com a escarpada e recortada costa, salpicada pelas típicas fajãs que se estendem mar adentro. As fajãs são pequenas planícies que tiveram origem em desabamentos de terras ou lava e nesta ilha existem mais de 40, daí ser muitas vezes apelidada por ilha das fajãs. Nalguns casos apenas existe acesso pedestre, por isso os trilhos são uma das melhores formas de a descobrir, existindo caminhos adequados a várias condições físicas e acompanhamento especializado.

Da Fajã da Caldeira do Santo Cristo, a mais famosa pelas suas saborosas amêijoas, à Fajã dos Cubres, com uma cristalina lagoa, e à Fajã do Ouvidor com as suas piscinas naturais, passear pela ilha de São Jorge é admirar o terreno parcelado para a agricultura de subsistência, as casas de pedra com janelas de três guilhotinas, cascatas e os curiosos cabos de aço para transporte da lenha até às planícies costeiras.


 

 

 




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